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Pelo menos 12 mortos de diferentes nacionalidades em incêndio no sul da Espanha
As autoridades aguardavam nesta sexta-feira (10) os resultados das primeiras autópsias para oferecer mais detalhes sobre o balanço do violento incêndio que deixou pelo menos 12 mortos de diferentes nacionalidades em Almería, no sul da Espanha, em uma região onde vivem muitos britânicos.
O incêndio começou na quinta-feira na região de Los Gallardos, uma área de relevo acidentado, repleta de ravinas e casas espalhadas, prendendo as pessoas que tentavam fugir, segundo as primeiras investigações.
Nessa região, a poucos quilômetros do quente Mediterrâneo andaluz e em meio ao relevo sinuoso de Almería, vivem muitos estrangeiros, atraídos pelo sol e pela tranquilidade.
Algumas informações indicam que 23 pessoas ainda não foram localizadas, mas o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, que visitou o local na tarde de sexta-feira, pediu "cautela" em relação a esse número.
Essas 23 pessoas estão sendo procuradas com base em depoimentos e "ligações telefônicas feitas de diferentes lugares", relativizou o ministro, acrescentando que apenas "três boletins oficiais" de desaparecimento foram registrados.
"Veremos amanhã [sábado]", acrescentou, insistindo que "é muito importante a realização das autópsias" dos corpos encontrados, ao mesmo tempo em que confirmou que entre as vítimas há pessoas de "diferentes nacionalidades".
A rápida propagação do fogo transformou a região em "uma espécie de ratoeira", conforme descreveu o presidente da comunidade autônoma da Andaluzia, Juan Manuel Moreno Bonilla, que se referiu ao episódio como "uma tragédia de enormes proporções".
Esse incêndio, que continua fora de controle — e já é um dos mais graves da história recente da Espanha — também deixou, até o momento, oito feridos, quatro deles em estado grave.
– Estrangeiros "isolados" –
Los Gallardos se preparava para celebrar suas festas locais quando a tragédia aconteceu.
"Eles estavam instalando as luzes da festa, e os trabalhadores tiveram que interromper completamente o serviço porque toda a cinza estava caindo sobre eles; ela entra na boca e é sentida por toda parte", contou Ana, proprietária de um supermercado, ao jornal local Ideal.
Por sua vez, Víctor Fernández, pároco de Bédar e Los Gallardos, explicou à rádio Cadena Cope que naquela região vivem "estrangeiros (...). A maioria é de idade avançada e encontrou um refúgio de paz nesta região", disse à emissora. Segundo ele, muitos viviam "muito isolados".
- Avisos de "porta a porta" -
O fogo teria começado, segundo os indícios, em uma vala, após a ruptura de um cabo de eletricidade que os fortes ventos rapidamente tornaram incontrolável. Em duas horas, avançou 15 km.
Segundo a autoridade andaluz para emergências, Antonio Sanz, quatro das vítimas estavam em um carro com volante do lado direito, razão pela qual poderiam ser de nacionalidade britânica.
As outras sete podem ter tentado fugir caminhando pelos escarpados caminhos da região, quando se viram encurraladas pelas chamas.
O prefeito de Bédar, Ángel Francisco Collado, explicou aos jornalistas que os moradores foram alertados "de porta a porta", mas que um grupo de pessoas "não deu ouvidos", dos quais "sete morreram", lamentou.
"Infelizmente, a falta de atenção a essas recomendações provavelmente provocou o triste acontecimento", considerou o presidente da Andaluzia.
Muitos familiares usavam as redes sociais para tentar localizar seus entes queridos, como Danielle Gillam-Kirton, que pedia informações sobre seus pais, moradores de Bédar. "Estamos tentando entrar em contato com eles para verificar se estão bem. Minha mãe me escreveu ontem às 18h53 para nos dizer que estavam sendo evacuados".
Mais de 400 efetivos de vários corpos continuam lutando contra esse incêndio que já devastou 3.150 hectares e forçou o deslocamento de 600 pessoas.
Segundo as previsões, as condições meteorológicas de sábado poderiam facilitar os trabalhos dos bombeiros.
"Amanhã, sábado, as condições meteorológicas já serão bastante mais favoráveis, com vento de leste moderado e com uma massa de ar mais fresca e úmida do que a de hoje", indicou no X a agência estatal de meteorologia (Aemet).
- Pêsames -
O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, manifestou no X a sua "enorme tristeza e desolação perante as terríveis consequências do incêndio" e pediu "muita precaução".
O rei Felipe VI e a rainha Letizia da Espanha, acompanhados de suas filhas, observaram um minuto de silêncio nesta sexta-feira em homenagem às vítimas e decidiram encurtar sua participação na cerimônia de formação militar da princesa Leonor, em sinal de luto pela tragédia.
"Queremos transmitir (...) nossos pêsames, nosso carinho e nosso apoio a todos aqueles que perderam entes queridos", declarou o monarca.
O país tem enfrentado, nos últimos anos, ondas de calor cada vez mais frequentes e prolongadas, com temperaturas que ultrapassam os 40 ºC.
Os incêndios florestais devastaram quase 400.000 hectares no ano passado, o maior número registrado no país pelo Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, e deixaram oito pessoas mortas.
M.AbuKhalil--SF-PST