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Equipes internacionais chegam à Venezuela para ajudar na busca por sobreviventes
Socorristas e voluntários procuravam na madrugada de sexta-feira (26), entre os escombros, sobreviventes do terremoto duplo que deixou pelo menos 235 mortos na Venezuela, onde começaram a desembarcar as primeiras equipes internacionais de auxílio.
Os terremotos de 7,2 e 7,5 graus de magnitude que atingiram o norte do país na quarta-feira deixaram um cenário de desolação, com dezenas de edifícios que desabaram, em particular na região de La Guaira, uma cidade litorânea próxima de Caracas.
Na capital, iluminados por um refletor, dois operários utilizavam marretas nos escombros de um prédio destruído. "Silêncio absoluto", grita um deles, para tentar escutar possíveis pessoas presas. "Uma lanterna, uma lanterna", pede outro.
Os dois tremores deixaram pelo menos 235 mortos e 4.300 feridos, segundo o balanço divulgado na noite de quinta-feira pelo ministro da Saúde, Carlos Alvarado.
Os resgates avançam lentamente e ainda há corpos visíveis sob os escombros. O presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, Jorge Rodríguez, afirmou que o governo contabilizou mais de 200 pessoas presas nos escombros.
- "Ele está aqui" -
Em La Guaira, onde fica o aeroporto mais importante do país, fechado devido aos danos provocados pelos terremotos, alguns moradores tentam resgatar os parentes soterrados.
"Ele está aqui", afirma, entre lágrimas, Alessandro del Giudice, um jovem de 23 anos que tenta encontrar o pai sob uma montanha de escombros.
Sua avó Amparo, desesperada, tenta retirar as ruínas com as próprias mãos em busca do filho. "São muitas pedras e com as mãos não é possível", disse pouco depois, impotente.
A presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o poder de forma interina em janeiro, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, visitou La Guaira na quinta-feira, onde declarou "zona de desastre".
A AFP constatou saques na região. "Não é momento de saquear, é momento de impor a lei", disse Argenis Méndez, um morador da região, que lamenta a escassez de recursos para os resgates.
"As autoridades não servem, não servem, porque aqui deveriam estar os militares com todos os equipamentos", acrescentou.
- Ajuda internacional -
Em um discurso na quinta-feira, a presidente interina anunciou o deslocamento de equipes de outros estados para Caracas e La Guaira, assim como o envio de equipes internacionais, que começaram a desembarcar no país.
Socorristas de El Salvador e do México já estão na capital Caracas. A imprensa venezuelana também informou sobre a chegada de equipes e insumos do Chile e da Suíça.
Após a promessa do presidente Donald Trump de ajudar seus "novos e grandes amigos", o governo dos Estados Unidos ofereceu 150 milhões de dólares e o envio de dois navios de guerra, aviões de transporte e helicópteros para apoiar a Venezuela.
Um general do Comando Sul, Kevin J. Jarrard, já está em Caracas para "supervisionar" as operações para salvar vidas e prestar "assistência humanitária nas zonas afetadas".
Muitos países da América Latina também expressaram solidariedade e ofereceram ajuda. Outros países, como Espanha, Alemanha, Itália, China e Índia, também prometeram enviar equipes.
O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 locais de quarta-feira, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois, ocorreu o segundo, de magnitude 7,5, o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.
A força dos terremotos foi sentida até mesmo na Colômbia. Desde então, foram registrados mais de 130 tremores secundários. A Venezuela é um país de atividade sísmica, mas um grande terremoto não era registrado desde 1997.
- "Minha filha está desaparecida" -
As redes sociais foram dominadas por pedidos de informação sobre desaparecidos, muitos em La Guaira. O número oficial é de 157, mas provavelmente aumentará.
A Espanha informou que 90 cidadãos estão desaparecidos. Portugal informou que não conseguiu localizar 56 cidadãos na Venezuela.
As pessoas consultam listas divulgadas pelos hospitais públicos com nomes de feridos.
"Minha casa caiu por completo, perdi família, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não a encontro", disse, em La Guaira, Jean Alexander Capote, de 48 anos.
As cenas de destruição e pânico se repetiram em Caracas. No bairro de Altamira, uma das áreas de maior atividade sísmica da capital, um edifício de 22 andares desabou.
Pouco depois dos tremores, era possível ouvir pessoas gritando os nomes de seus familiares na esperança de obter alguma resposta. Em outros bairros, a situação era semelhante: casas destruídas e edifícios rachados.
Rita Gómez, 60 anos, viajou durante toda a noite de Maracaibo até Caracas, após ver nas redes sociais imagens do prédio onde sua filha morava completamente destruído. "Estou confiando em Deus para que consigam encontrá-la com vida", disse.
Em um muro, destacava-se a fotografia de um menino de 6 anos. Ao lado dela, lia-se: "Desaparecido no terremoto", juntamente com seu nome e um telefone para contato. Última localização conhecida: La Guaira.
F.AbuShamala--SF-PST