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EUA classifica PCC e CV como organizações terroristas
O governo dos Estados Unidos classificou nesta quinta-feira (28) como organizações terroristas os dois principais grupos criminosos do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), apesar da oposição de Brasília.
"O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntas, comandam milhares de integrantes e orquestraram ataques brutais contra policiais brasileiros, funcionários públicos e civis. Sua influência e suas redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil", declarou o secretário de Estado, Marco Rubio, em comunicado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia reiterado sua oposição a essa medida durante sua visita em Washington, há três semanas, ao seu par americano, Donald Trump.
O principal adversário eleitoral do petista para as eleições presidenciais de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), manifestou-se, ao contrário, decididamente favorável à medida há apenas dois dias, após ser recebido de forma privada por Trump no Salão Oval.
"Agradeço ao presidente Donald Trump e ao secretário de Estado Marco Rubio por atenderem rapidamente ao meu pedido em nome do povo brasileiro. Agora é com a gente, aqui no Brasil", reagiu o pré-candidato em vídeo publicado no Instagram.
Com a chegada de Trump à Casa Branca em janeiro de 2025, os Estados Unidos começaram a classificar como terroristas organizações criminosas como os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nueva Generación, além do grupo venezuelano Tren de Aragua.
Segundo Washington, essa designação permite ampliar todo tipo de operações — policiais, de inteligência e de contraterrorismo — contra os líderes dessas organizações e seus interesses em qualquer parte do mundo.
Enquanto países como Brasil e México demonstraram oposição a essa classificação, outras nações da América Latina se mostram favoráveis a seguir os passos de Trump, como Equador e Honduras.
- Duas etapas -
A medida anunciada por Washington tem duas etapas: inicialmente o PCC e o CV são classificados como grupos terroristas especialmente designados (SDGT, na sigla em inglês).
Assim, os chefes dessas organizações e todos aqueles que se associarem a eles podem ser rapidamente submetidos a sanções por parte do Departamento do Tesouro, que já conta com uma lista de 18 mil nomes, entidades e empresas, que vem aumentando há décadas.
Em seguida, a partir de 5 de junho, detalhou Rubio no comunicado, as duas facções passarão a ser consideradas “organizações terroristas estrangeiras”.
Essa designação tem consequências mais sérias, pois implica equiparar o PCC e o CV a grupos como a Al-Qaeda ou o Estado Islâmico.
O Brasil vem combatendo essas facções desde seu surgimento. O Comando Vermelho surgiu nos anos 1970 no presídio da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, enquanto o Primeiro Comando da Capital nasceu em uma prisão próxima a São Paulo, nos anos 1990.
Apesar da violência desses grupos, reconhecida por Brasília, o governo não os equipara a organizações terroristas com pretensão de colocar o Estado em risco.
O governo Trump considera, por sua vez, que a entrada em massa de drogas e de criminosos provenientes da América Latina e do Caribe representa uma ameaça à sua segurança nacional, equiparável às piores organizações que os Estados Unidos já enfrentaram.
Essa é a mesma teoria que sustenta os polêmicos ataques, desde setembro do ano passado, contra supostas lanchas de narcotraficantes no Caribe e no Pacífico, que causaram quase 200 mortes.
Especialistas em direito internacional e organizações de direitos humanos alegam que os ataques provavelmente equivalem a execuções extrajudiciais.
Do ponto de vista político, a classificação das facções brasileiras como terroristas é um claro desdém a Lula, que saiu de seu encontro com Trump “muito satisfeito”. O presidente republicano havia se expressado em termos semelhantes, após várias polêmicas verbais com o petista.
Os Estados Unidos e o Brasil assinaram em abril um acordo para combater o tráfico de armas e drogas, e Lula havia reconhecido que Trump lhe pedira mais colaboração.
Mas o presidente brasileiro relatou à imprensa que os dois continuavam em desacordo sobre elevar o combate ao crime a termos antiterroristas.
H.Jarrar--SF-PST