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Últimas evacuações do Hondius atrasam por razões meteorológicas
As más condições meteorológicas levaram as autoridades a decidir pela atracação de emergência do Hondius no porto espanhol de Granadilla, a fim de tentar agilizar as últimas evacuações.
Em princípio, o navio, afetado por um surto de hantavírus, não devia atracar na ilha canária de Tenerife, onde sua chegada foi recebida com inquietação por parte da população, com medo de um possível contágio.
Jornalistas da AFP viram o cruzeiro atracar no porto, pouco depois de o Ministério da Saúde anunciar a decisão, tomada “por razões meteorológicas e com o objetivo de garantir a segurança”.
“A embarcação permanecerá atracada o tempo mínimo imprescindível para garantir a segurança dos passageiros e dos membros do dispositivo de evacuação”, afirmou no comunicado.
Por enquanto, não se sabe quanto tempo o navio permanecerá no porto de Granadilla, nem se poderá partir às 19h (15h no horário de Brasília) para os Países Baixos, como estava inicialmente previsto.
Antes disso, segundo os planos, deverão desembarcar os últimos 28 evacuados, que devem deixar Tenerife em dois voos com destino aos Países Baixos.
No cruzeiro ficarão então apenas 26 tripulantes, que serão os que zarparão rumo ao país europeu, levando também a bordo o corpo de uma vítima alemã.
- “Unidade e força” -
O Hondius, que havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, recebeu combustível e suprimentos nesta segunda‑feira, antes de enfrentar a última etapa de uma viagem conturbada que acabou chamando a atenção do mundo todo após a morte de três passageiros em consequência do hantavírus.
Em um breve vídeo publicado nesta segunda-feira no site da Oceanside Expeditions, o capitão do Hondius, Jan Dobrogowski, agradeceu à sua tripulação e aos passageiros, destacando a "união e a força" de todos a bordo e elogiando a tripulação por sua "coragem e determinação altruísta".
"Como capitão do Hondius, meu trabalho é liderar minha tripulação, cuidar dos meus passageiros e levar o navio ao porto em segurança. Nossa responsabilidade não termina aí", acrescentou, expressando seu desejo de que todos possam "voltar para casa em segurança e com boa saúde".
Três passageiros a bordo do Hondius — um casal holandês e uma mulher alemã — morreram devido ao hantavírus.
As repatriações estão sendo realizadas de avião e por nacionalidade, 23 ao todo, com rigorosas medidas de segurança para reduzir ao mínimo o contato dos ocupantes do Hondius com outras pessoas.
Nesta segunda‑feira, a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, voltou a defender a segurança da operação. “O governo de Espanha está focado no que tem de fazer, está trabalhando empenhada para que esta operação corra bem”, afirmou.
“O mundo está olhando para nós e, aliás, o mundo está agradecendo nosso trabalho e as capacidades que temos na Espanha para realizá-lo”, acrescentou.
No domingo partiram voos para Madri, para levar os espanhóis que fazem quarentena em um hospital militar, para a França, Países Baixos — que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio —, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.
O presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, voltará a reunir‑se na terça em Madri com o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pela segunda vez em quatro dias.
- Falta de garantias -
Segundo as autoridades de saúde, os passageiros foram classificados como "contatos de alto risco" e deverão cumprir quarentenas ao chegarem ao destino. Já os americanos não serão necessariamente colocados em quarentena, uma decisão que envolve "riscos", avaliou o diretor-geral da OMS.
"Isto não é covid", justificou Jay Bhattacharya, diretor interino do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, fazendo um apelo à população para manter a calma.
O Hondius havia permanecido até agora sem atracar no porto, a pedido das autoridades regionais das Canárias, que manifestaram sua rejeição à operação e nesta segunda-feira lamentaram o aparecimento dos dois casos.
"O que espero é que a operação transcorra com todas as garantias, garantias que, à vista de todos, não estão sendo dadas", declarou a principal autoridade de Tenerife, a presidente do conselho municipal da ilha, Rosa Dávila, assegurando que não foram realizados testes PCR nos passageiros retirados.
Q.Jaber--SF-PST