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Empresário espanhol acusado em esquema de corrupção aponta diretamente para Pedro Sánchez
O empresário julgado por corrupção em Madri ao lado do ex-ministro espanhol dos Transportes José Luis Ábalos, peça-chave na ascensão de Pedro Sánchez, apontou nesta quarta-feira (29) o presidente do governo como "nível 1" da "organização criminosa".
O empresário Víctor de Aldama, Ábalos e seu ex-assessor Koldo García estão no banco dos réus por suposta corrupção na compra de milhões de máscaras durante a pandemia de covid-19 por ministérios, governos regionais socialistas ou entidades públicas, como a Puertos del Estado.
Ábalos e García, que estão em prisão preventiva, se declaram inocentes. Aldama, que já havia feito acusações semelhantes contra Sánchez antes do julgamento, está em liberdade por ter colaborado com as investigações.
O processo tem implicações para o chefe de governo.
O ex-ministro, de 66 anos, para quem o Ministério Público pede 24 anos de prisão, foi uma figura central na ascensão de Sánchez e o homem que mandava no Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) a partir de seu posto de secretário de Organização.
Cada revelação do processo reacende o debate sobre o controle de Sánchez sobre seu entorno, sobretudo porque o substituto de Ábalos como secretário de Organização do PSOE, Santos Cerdán, também é investigado por corrupção e foi afastado do partido.
Além disso, sua esposa, Begoña Gómez, está perto de ir a julgamento sob suspeita de ter se beneficiado de sua posição para suas atividades privadas, e seu irmão, David Sánchez, será julgado em maio por ter sido supostamente nomeado por indicação para um cargo público.
O primeiro acusado a depor nesta quarta-feira foi Aldama, que afirmou: "Eu obviamente estou na organização criminosa, o senhor presidente do governo estava no nível 1, o senhor Ábalos no nível 2, o senhor Koldo García no 3 e eu no 4".
Sánchez já rejeitou anteriormente as acusações de Aldama.
O empresário contou como conheceu Sánchez e tirou uma foto com ele após um comício, graças a Koldo García.
"O presidente me disse: muito obrigado por tudo, sei perfeitamente o que você está fazendo e simplesmente queria agradecer", relatou Aldama.
O empresário disse ter ficado surpreso com "a proximidade" entre Sánchez e Koldo García. Quando perguntou sobre isso a García, ele respondeu: "Ele me deve muito e sabe por quê".
- Do México à Venezuela -
Aldama explicou que, graças a seus contatos internacionais e ao respaldo de Ábalos a partir do cargo que ocupava, o esquema pôde fazer negócios em países como México e Venezuela.
Ele também afirmou que atuou como intermediário, aproveitando sua relação com Delcy Rodríguez - então vice-presidente da Venezuela e hoje presidente interina -, para que o governo de Sánchez deixasse de apoiar o opositor Juan Guaidó e passasse a interagir com Nicolás Maduro, com o objetivo final de facilitar negócios.
"Vamos, digamos, começar a ter conversas com vocês para chegar a um acordo que estávamos conduzindo com o senhor Guaidó. Ela me disse que, se isso acontecesse, a Espanha teria as portas abertas, como sempre teve, com a Venezuela", relatou Aldama sobre essa ligação para Delcy Rodríguez.
Além disso, Aldama insistiu que parte dos lucros do esquema, que consistia basicamente em conceder contratos públicos em troca de comissões, serviu para financiar o PSOE.
Segundo a acusação, Ábalos foi o elo político que permitiu o acesso aos contratos públicos de compra de máscaras; García, o intermediário para que as operações se concretizassem; e Aldama, o empresário que organizou a venda e obteve os benefícios econômicos.
Em troca, Ábalos teria recebido dinheiro e favores que lhe permitiram manter um alto padrão de vida, incluindo supostamente pagamentos mensais, o custeio de férias familiares e o pagamento de um apartamento de luxo para uma amante em Madri.
- Um fim de legislatura agitado -
O julgamento começou em 7 de abril, e o depoimento dos acusados acontece em seu penúltimo dia teórico, antes de as partes apresentarem suas conclusões e o caso ficar pronto para uma sentença que, com base em precedentes, poderia demorar alguns meses.
Sánchez minimizou sua relação com Ábalos, embora ele tenha sido o cérebro de sua ascensão e o deputado socialista escolhido para apresentar no Congresso a vitoriosa moção de censura contra o governo do conservador Mariano Rajoy, que o levou ao poder em 2018.
Com os socialistas em minoria no Parlamento, resta saber qual impacto a sentença terá no ano que falta para o fim da legislatura, levando em conta que Sánchez precisa do apoio de vários partidos que poderiam lhe dar as costas e derrubá-lo.
K.AbuDahab--SF-PST