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Musk e Altman se enfrentam em julgamento sobre a OpenAI
Elon Musk e Sam Altman, antigos sócios na OpenAI, controladora do ChatGPT, compareceram nesta terça-feira (28) a um tribunal federal na Califórnia para as alegações iniciais de um julgamento que busca determinar se a empresa de inteligência artificial traiu sua missão sem fins lucrativos.
Musk processou Altman e a OpenAI, startup que ajudou a fundar e com a qual hoje compete no florescente setor da IA. Também processou a Microsoft, atual parceira da OpenAI.
"Estamos aqui hoje porque os réus neste caso roubaram uma organização beneficente", disse o advogado de Musk, Steven Molo, o primeiro a falar ao tribunal, antes dos representantes da OpenAI e da Microsoft.
Elon Musk "é uma lenda, gostem ou não", afirmou Molo aos nove integrantes do júri, cuja seleção na segunda-feira revelou as profundas reservas que muitos americanos têm em relação ao homem mais rico do mundo.
Admirado como empreendedor, Musk, fundador e dono da Tesla, SpaceX, X (Twitter) e xAI, também foi criticado por sua brusca guinada política e por sua passagem pela administração Trump.
Instantes antes das alegações iniciais, Musk e Altman, sentados ao lado de seus advogados no tribunal federal de Oakland, foram repreendidos pela juíza Yvonne Gonzalez Rogers, que os orientou a limitar ao mínimo suas publicações nas redes sociais durante o julgamento.
Em uma enxurrada de mensagens na segunda-feira, amplificadas em sua plataforma X, Musk zombou de Altman, antes seu amigo e hoje considerado seu nêmesis.
Para além do confronto entre os dois, o caso gira em torno de quem deve controlar a IA e em benefício de quem.
- Sem fins lucrativos? -
A disputa remonta a 2015, quando Altman convenceu Musk a cofundar a OpenAI com a promessa de que ela seria um laboratório sem fins lucrativos e de que sua tecnologia "pertenceria ao mundo".
Musk investiu ao menos 38 milhões de dólares (R$ 188,9 milhões), mas a ruptura se consumou em 2018, e a Fundação OpenAI criou sua filial com fins lucrativos um ano depois.
A Microsoft começou então a investir e elevou seu compromisso para 13 bilhões de dólares (R$ 64,6 bilhões), participação hoje avaliada em aproximadamente 135 bilhões de dólares (R$ 670,9 bilhões).
A OpenAI se transformou em um colosso comercial avaliado em 852 bilhões de dólares (R$ 4,2 trilhões) e se prepara para abrir capital apoiada em seu assistente de IA generativa ChatGPT, que causou sensação no mundo em 2022.
No entanto, a complexa estrutura de governança da OpenAI - em que um conselho sem fins lucrativos mantém o controle final sobre um braço com fins lucrativos - há muito inquieta investidores receosos de apoiar uma empresa cuja missão subordina explicitamente o lucro ao bem-estar geral da humanidade.
Musk acabou criando seu próprio laboratório, a xAI, que fundiu com a SpaceX em fevereiro. A SpaceX é avaliada em 1,25 trilhão de dólares (R$ 6,2 trilhões), e sua oferta pública inicial, prevista para junho, pode se tornar a maior da história.
Musk sustenta em sua ação que foi enganado quanto ao caráter altruísta da missão da OpenAI.
Os cofundadores da OpenAI, Altman e Greg Brockman, "estão seguros de sua posição e esperam que os fatos venham à tona", disse o advogado dos dois, William Savitt, do lado de fora do tribunal na segunda-feira.
- "Ego e inveja" -
A OpenAI, com sede em San Francisco, respondeu que seu desentendimento com Musk surgiu da busca do magnata por controle absoluto, e não de seu status de organização sem fins lucrativos.
"Seu processo nada mais é do que uma campanha de intimidação motivada por ego, inveja e o desejo de sufocar um concorrente", disse a OpenAI sobre Musk em uma publicação recente no X.
A juíza Gonzalez Rogers decidirá até o final de maio, com base nas conclusões do júri, se a OpenAI quebrou uma promessa feita a Musk em sua busca pela liderança em IA ou se simplesmente soube utilizar a tecnologia de forma inteligente para alcançar o domínio do mercado.
Além de pedir que a OpenAI seja obrigada a voltar a ser uma organização puramente sem fins lucrativos, a ação de Musk pede a destituição dos cofundadores Altman e Brockman, presidente da startup.
Musk, que havia pedido até 134 bilhões de dólares (R$ 665,98 bilhões) por danos e prejuízos, abriu mão desde então de qualquer benefício pessoal e prometeu destinar eventual indenização à organização sem fins lucrativos da OpenAI.
L.Hussein--SF-PST