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Trégua e diálogo ficam ameaçados por advertência de Israel de continuar ataques no Líbano
Israel ameaçou nesta quinta-feira (9) continuar os bombardeios contra o Hezbollah no Líbano, apesar do risco de comprometer a frágil trégua entre Irã e Estados Unidos, assim como as negociações de paz para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Em um Líbano de luto, socorristas vasculham os escombros em busca de vítimas dos bombardeios simultâneos de quarta-feira contra várias regiões do país que, segundo o balanço mais recente do Ministério da Saúde, deixaram mais de 300 mortos e mil feridos.
"Nossa mensagem é clara: qualquer um que aja contra civis israelenses será atingido. Continuaremos atingindo o Hezbollah onde for necessário, até restaurarmos a segurança dos moradores do norte" de Israel, os mais expostos aos projéteis do movimento pró-iraniano Hezbollah, afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O Exército voltou a pedir nesta quinta-feira que moradores de alguns bairros do sul de Beirute deixem a área diante da possibilidade de novos bombardeios.
"Nossas mãos continuam no gatilho, o Irã nunca abandonará seus irmãos e irmãs libaneses", reagiu o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, advertindo que os bombardeios fazem com que as negociações de paz previstas para este fim de semana com Washington em Islamabad "não tenham sentido".
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acrescentou que o Líbano é uma "parte inseparável" do acordo e que, se a trégua for violada, haverá uma "resposta firme".
Para o Paquistão, mediador do conflito, a trégua se aplica "em todas as partes, incluindo o Líbano". Israel e Washington contestam essa interpretação.
"Se o Irã quiser que esta negociação fracasse por um conflito (...) que não tem nada a ver com eles, e que os Estados Unidos nunca disseram que fazia parte do cessar-fogo, é uma escolha deles", afirmou o vice-presidente americano, JD Vance.
A pressão internacional aumenta.
França, Reino Unido e União Europeia pediram que a trégua de duas semanas inclua o Líbano, e a Rússia considera que isso já está implícito.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, anunciou que seu país retomará negociações com Teerã e instou Israel a abandonar sua ofensiva no Líbano.
A ONU advertiu que os ataques no país representam um "grave perigo para o cessar-fogo".
Ainda assim, nesta quinta-feira o Exército israelense causou pelo menos cinco mortes em ataques no sul do país, onde o Hezbollah relatou confrontos diretos.
- Negociações no Paquistão -
Antes das negociações no Paquistão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou que manterá as tropas perto do Irã até um "acordo real". E, se as negociações fracassarem, "vai atirar com mais força do que qualquer um já viu", advertiu.
O programa nuclear iraniano é um dos temas mais conflitivos. O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã descartou restringir o programa de enriquecimento de urânio.
"Não passam de desejos que ficarão enterrados", declarou Mohammad Eslami à agência Isna.
Estados Unidos e Israel acusam o Irã de buscar a bomba atômica, algo que Teerã nega.
Trump parece disposto a "discutir" sobre "o levantamento (...) das sanções" que asfixiam a economia do Irã, mas se recusa a ceder quanto ao enriquecimento de urânio.
- Incertezas sobre Ormuz -
A situação continua confusa em torno do Estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica bloqueada pelo Irã desde o início da guerra e cuja reabertura era uma condição para o cessar-fogo.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou que os navios devem seguir duas rotas próximas às costas iranianas, para evitar minas.
A União Europeia rejeitou a ideia de um "pedágio" para este estreito em águas internacionais, depois de o Irã ter insinuado que poderia cobrar para permitir a passagem de embarcações.
Apesar disso, após cinco semanas de guerra no Oriente Médio, o cessar-fogo trouxe certa calma em seu segundo dia, sem bombardeios nas últimas horas no Irã ou no Golfo.
Em Teerã, milhares de iranianos se reuniram quando se completam 40 dias da morte do ex-líder supremo Ali Khamenei em 28 de fevereiro, quando um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel desencadeou a guerra. Desde então, o conflito deixou milhares de mortos e abalou a economia mundial.
Em Israel, locais sagrados e escolas foram reabertos.
Nos mercados, o alívio trazido pelo anúncio da trégua durou pouco: os preços do petróleo voltaram a se aproximar da marca dos 100 dólares (R$ 509, na cotação atual) por barril.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que a guerra pode levar 45 milhões de pessoas à insegurança alimentar.
Z.AlNajjar--SF-PST