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Líbano e enriquecimento de urânio colocam em risco a trégua no Irã
Israel ignorou, nesta quinta-feira (9), os apelos para incluir o Líbano em um cessar-fogo no Irã, frágil não apenas pela posição israelense, mas também pela recusa de Teerã em renunciar ao enriquecimento de urânio, uma condição imposta por Washington e Tel Aviv.
Apesar de tudo, depois de cinco semanas de guerra no Oriente Médio, o cessar-fogo trouxe certa calma em seu segundo dia, sem bombardeios nas últimas horas no Irã ou no Golfo.
Em Teerã, milhares de iranianos se reuniram na ocasião dos 40 dias da morte do ex-líder supremo Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, quando um ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel desencadeou a guerra. Desde então, ela deixou milhares de mortos e abalou a economia mundial.
Em Israel, os locais sagrados e as escolas foram reabertos. No Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, Hamza al-Afghani disse sentir uma alegria "indescritível".
- Troca de ameaças -
No Líbano em luto, o cenário é muito diferente.
Socorristas vasculham entre os escombros em busca de vítimas dos bombardeios simultâneos israelenses contra várias regiões libanesas na quarta-feira.
"Nossa mensagem é clara: qualquer um que agir contra civis israelenses será atingido. Continuaremos atacando o Hezbollah onde for necessário, até que restauremos a segurança dos moradores do norte de Israel", a região mais exposta aos projéteis disparados pelo movimento pró-Irã, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em sua conta no X.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reagiu no mesmo tom. "Nossas mãos continuam no gatilho, o Irã nunca abandonará seus irmãos e irmãs libaneses", declarou na mesma rede, considerando que os bombardeios fazem com que as negociações "não tenham sentido".
A ONU advertiu que estes ataques no Líbano representam um "grave perigo para o cessar-fogo", na véspera de negociações previstas entre iranianos e americanos no Paquistão.
França, Reino Unido e União Europeia pediram que a trégua de duas semanas inclua o Líbano.
Os bombardeios israelenses deixaram mais de 200 mortos e mil feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde do Líbano. E cinco pessoas morreram nesta quinta-feira em ataques do Exército israelense no sul libanês.
Na fronteira com Israel, a tensão é palpável, com pelo menos 14 alertas de foguetes.
Para o Paquistão, mediador na guerra no Oriente Médio, a trégua se aplica "em toda parte, incluindo o Líbano". Israel e Washington negam.
"Se o Irã quer que esta negociação fracasse por um conflito no qual está sendo travado no Líbano, que não tem nada a ver com eles e que os Estados Unidos nunca disseram que faria parte do cessar-fogo, é escolha deles", afirmou o vice-presidente dos EUA, JD Vance.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, insiste que o Líbano é uma "parte inseparável" do acordo e que, caso a trégua seja violada, haverá uma "resposta firme" por parte de Teerã.
- Negociações no Paquistão -
Antes das negociações no Paquistão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou que manterá as tropas perto do Irã até um "acordo real". E, se as negociações fracassarem, "vai atirar com mais força do que qualquer um já viu", advertiu.
O programa nuclear iraniano é um dos temas mais conflitivos. O chefe da Organização de Energia Atômica do Irã descartou restringir o programa de enriquecimento de urânio.
"Não passam de desejos que ficarão enterrados", declarou Mohamad Eslami à agência Isna.
Estados Unidos e Israel acusam o Irã de buscar a bomba atômica, algo que Teerã nega.
Trump parece disposto a "discutir" sobre "o levantamento (...) das sanções" que asfixiam a economia do Irã, mas se recusa a ceder quanto ao enriquecimento de urânio.
- Incertezas sobre Ormuz -
A situação continua confusa em torno do Estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica bloqueada pelo Irã desde o início da guerra e cuja reabertura era uma condição para o cessar-fogo.
A Guarda Revolucionária do Irã anunciou que os navios devem seguir duas rotas próximas às costas iranianas, para evitar minas.
A União Europeia rejeitou a ideia de um "pedágio" para este estreito em águas internacionais, depois de o Irã ter insinuado que poderia cobrar para permitir a passagem de embarcações.
Nos mercados, o sopro de esperança trazido pelo anúncio de uma trégua durou pouco. Os preços do petróleo subiram mais de 3% nesta quinta-feira, voltando a se aproximar dos 100 dólares (R$ 509, na cotação atual) por barril.
R.Halabi--SF-PST