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Bolsonaro deixa hospital e vai para casa cumprir prisão domiciliar
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu alta do hospital nesta sexta-feira (27), após duas semanas internado com broncopneumonia, e foi transferido para sua residência em Brasília, onde continuará cumprindo sua pena em prisão domiciliar, ao menos temporariamente.
Bolsonaro "acabou de ter alta hospitalar", disse seu médico, Brasil Caiado, a repórteres do lado de fora do hospital particular DF Star. Caiado afirmou que o ex-presidente terá que seguir uma rotina intensiva de fisioterapia e cuidados.
"De forma geral, está mais ou menos equilibrado", declarou Caiado sobre seu estado de saúde.
Imagens da TV mostraram a chegada do ex-presidente à sua casa, caminhando e usando colete à prova de balas, acompanhado por um grupo de pessoas.
Mais tarde, apareceu sentado na parte externa da residência, brincando com dois cães.
O ex-presidente, de 71 anos, foi transferido para o hospital em 13 de março do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ele foi diagnosticado com broncopneumonia após apresentar febre alta, baixa saturação de oxigênio e calafrios na prisão. Após mais de uma semana na UTI, foi transferido para um quarto comum na segunda-feira, o que abriu o caminho para receber alta.
No entanto, Bolsonaro não retornará à prisão, em decorrência de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou sua transferência para prisão domiciliar por razões "humanitárias" por um período prorrogável de 90 dias.
"Obrigada, Senhor, pelas misericórdias que se renovam a cada manhã. Obrigada porque hoje estamos indo para casa, meu marido e eu", escreveu sua esposa, Michelle Bolsonaro, em sua conta no Instagram.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, acatou o pedido dos advogados do ex-presidente para cumprir a pena em casa após rejeitar outras solicitações semelhantes de sua defesa.
Durante meses, os advogados de Bolsonaro argumentaram que seu estado de saúde tornava inviável o cumprimento da pena na prisão, mas esses pedidos foram sistematicamente negados.
Foi a gravidade desta última hospitalização que finalmente fez a diferença.
Em sua residência em Brasília, Bolsonaro será obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica e ficará proibido de usar celular, redes sociais e gravar vídeos ou áudios. Ele poderá receber visitas de familiares, advogados e médicos.
O ex-presidente já esteve em prisão domiciliar, mas foi para o presídio em novembro após ter danificado sua tornozeleira eletrônica com uma solda, o que o Supremo interpretou como uma tentativa de fuga.
Passados os 90 dias, o tribunal revisará seu caso para decidir se o mantém em casa ou não.
Caiado disse que, no fim de abril, Bolsonaro será submetido a uma "artroscopia" no ombro direito, um procedimento cirúrgico minimamente invasivo para tratar problemas nas articulações.
- "No desmanche" -
A broncopneumonia é o episódio mais recente de um longo histórico médico que remonta a 2018, quando Bolsonaro foi esfaqueado no abdômen durante um evento de campanha.
A infecção que o levou ao hospital foi consequência de uma broncoaspiração relacionada a essas sequelas.
Bolsonaro foi condenado em setembro a 27 anos de prisão por conspiração para permanecer no poder após perder a eleição de 2022 para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Sua volta para casa ocorre a menos de sete meses das eleições presidenciais de outubro.
O ex-presidente designou seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), como o candidato da direita para enfrentar o presidente Lula, que disputará o quarto mandato.
As pesquisas mais recentes mostram um empate técnico entre os dois em um possível segundo turno.
Depois que Flávio Bolsonaro comparou Lula a um Opala "velho" em um evento empresarial em fevereiro, o presidente retrucou durante um evento em Niterói na quinta-feira: "Ele fala isso porque o Opala dele é o pai dele, que tá no desmanche".
N.Shalabi--SF-PST