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Promotoria francesa pede 30 anos de prisão para chileno Zepeda por assassinato
A Promotoria francesa solicitou, nesta quarta-feira (25), uma pena de 30 anos de prisão para o chileno Nicolás Zepeda, considerado culpado pelo assassinato de sua ex-namorada japonesa, Narumi Kurosaki, em 2016. Este é o terceiro julgamento neste caso de grande repercussão. O corpo da vítima não foi encontrado.
Em 2023, um tribunal confirmou em apelação a sentença inicial de 28 anos de prisão pelo homicídio premeditado de Kurosaki, mas o Tribunal de Cassação francês ordenou um novo julgamento devido a uma falha processual.
Perante o tribunal de Lyon, no leste da França, o promotor Vincent Auger pediu aos três magistrados e aos nove membros do júri uma pena mais severa: "30 anos de prisão" por "assassinato premeditado".
O chileno de 35 anos, que alega ser inocente, ouviu impassivelmente do banco dos réus, sob os olhares atentos do público e dos jornalistas que cobriam o julgamento, informou a AFP. A transmissão de processos judiciais é proibida na França.
A Promotoria acredita que ele matou sua ex-namorada na madrugada de 5 de dezembro de 2016, em seu quarto na residência universitária Rousseau, em Besançon, após viajar inesperadamente do Chile para a França meses depois do término do relacionamento e após passar dias espionando-a.
A defesa alega que, na ausência de corpo e de provas materiais, seu cliente deve ser absolvido em benefício da dúvida. Ele está em prisão preventiva na França desde sua extradição do Chile em 2020.
Os advogados da defesa devem apresentar suas alegações finais na tarde desta quarta-feira, antes do veredicto final, previsto para esta quarta ou quinta-feira.
- "Benefício da dúvida" -
Os advogados de defesa, Sylvain Cormier e Robin Binsard, mantiveram a estratégia que vinham utilizando desde o início do novo julgamento, em 17 de março, concentrando-se em destacar as áreas cinzentas da investigação e apontar outros potenciais suspeitos.
Os advogados lembraram ao tribunal que havia vestígios de DNA no quarto de Kurosaki que nunca foram identificados, potenciais testemunhas que nunca foram interrogadas, que nem todas as câmeras de segurança da residência universitária foram analisadas, entre outros.
"Não tenho provas de que Nicolás Zepeda seja inocente, e vocês não têm certeza de que ele seja culpado", insistiu Binsard, pedindo a absolvição de seu cliente com base no "benefício da dúvida".
Cormier, visivelmente emocionado, relembrou o caso de Patrick Dils, o mais conhecido erro judicial da França, cujo desfecho ele acompanhou em 2002, como jovem advogado, no mesmo tribunal que agora julga seu cliente.
Em 1989, aos 18 anos, Dils foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de duas crianças, mas foi absolvido em 2002 porque o verdadeiro culpado era o assassino em série Francis Heaulme. "Este caso me ensinou: nunca confie nas aparências", disse ele.
H.Jarrar--SF-PST