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Colômbia denuncia suposto bombardeio do Equador em plena crise diplomática
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciou, nesta terça-feira (17), que uma "bomba" não detonada foi encontrada em território colombiano, muito perto da fronteira com o Equador. Moradores da região afirmaram à AFP que estão "apavorados".
A "bomba (...) caiu a cem metros da casa de uma família camponesa empobrecida", disse Petro no X, incluindo em sua publicação imagens do explosivo em meio a plantações de folhas de coca.
Camponeses da região confirmaram à AFP esta versão, em meio a uma guerra comercial e tarifária entre os dois países, que escala dia a dia.
Noboa, por sua vez, diz que essas acusações são "falsas" e acusa a Colômbia de não fazer o suficiente no combate aos grupos armados na fronteira, que depois cruzam para o Equador, onde a violência do narcotráfico atinge níveis históricos.
"Estávamos todos apavorados, quer dizer, assustados, e preocupados que, de repente, esses aparelhos fossem explodir e pudessem tirar nossas vidas", disse o camponês Julián Imbacuán em conversa por telefone com a AFP.
O morador do pequeno povoado de El Amarradero, no município de Ipiales, disse que a bomba caiu "pertinho da casa, a cerca de 50 a 60 metros" e que mais tarde encontrou o artefato sem explodir.
Imagens compartilhadas com a AFP mostram camponeses ao redor da bomba de aviação de 250 quilos e, bem perto, a cratera que ela deixou após a queda.
Especialistas consultados consideram que se trata de uma "bomba de queda livre" tipo MK, geralmente fabricada no Brasil e nos Estados Unidos. Estas bombas não são teleguiadas e caem por efeito da gravidade.
O ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, pediu que os moradores se mantenham afastados da área.
- "Não é plausível" -
O suposto ataque ocorre no momento em que o Equador lança uma dura ofensiva de duas semanas com estritos toques de recolher para tentar subjugar os cartéis com o apoio dos Estados Unidos.
O Equador está "bombardeando os locais que serviam de esconderijo" para grupos criminosos "em grande parte colombianos, que o próprio governo deles permitiu que se infiltrassem em nosso país por descuido com sua fronteira", afirmou Noboa no X, em alusão ao presidente colombiano.
Aliado fiel de Washington na região, o governo equatoriano atacou na semana passada um campo de treinamento de uma dissidência das Farc na província equatoriana fronteiriça de Sucumbíos (nordeste).
"Presidente Petro, suas declarações são falsas; estamos atuando em nosso território, não no seu", escreveu Noboa sobre a denúncia de Petro.
O Equador faz parte do "Escudo das Américas", uma aliança de 17 países do continente criada pelo presidente americano, Donald Trump, para enfrentar ameaças à segurança.
Equador e Colômbia compartilham uma fronteira de cerca de 600 quilômetros por onde circulam guerrilhas colombianas e organizações criminosas de ambos os países dedicadas ao tráfico de drogas, armas e pessoas, além do garimpo ilegal.
"Há 27 corpos carbonizados e a explicação não é plausível", respondeu Petro, sem especificar se se tratam de pessoas que morreram recentemente.
A AFP entrou em contato com o Exército, que não pôde responder sobre a origem dos corpos mencionados pelo presidente.
Em 2008, Equador e Colômbia estiveram à beira de um conflito após um bombardeio do então presidente colombiano Álvaro Uribe em território equatoriano, no qual morreu um dos comandantes da extinta guerrilha das Farc.
- Que "não volte a acontecer" -
Segundo Imbacuán, tudo ocorreu em 3 de março e "de uma hora pra outra".
"Chegaram (...) uns três aviões, mais ou menos, do lado do Equador, e soltaram esses artefatos, e alguns conseguiram sim explodir, mas do lado do Equador", contou.
Em campos políticos opostos, Petro e Noboa elevam o tom em meio à disputa tarifária que começou em fevereiro por iniciativa do Equador e afeta as importações, a cooperação energética e o transporte de petróleo entre os dois países.
Mais cedo, a chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld, disse que Equador e Colômbia participarão em breve de "uma mesa de diálogo por meio da Comunidade Andina" de Nações, visando "retomar as conversas".
"Estamos pedindo à Colômbia que aumente suas capacidades de controle de fronteira (...) para poder reduzir o nível de violência e insegurança”, insistiu Sommerfeld em entrevista ao canal Teleamazonas. Essa é a condição do Equador para pôr fim à guerra tarifária.
Por sua vez, o camponês só pede que "essas coisas não voltem a acontecer".
"Como é que vão vir aqui atentar contra a vida de civis que estão trabalhando tranquilamente?", pergunta.
Y.Zaher--SF-PST