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Le Pen nega acusação-chave em julgamento na França por desvio de verba
A líder da extrema direita francesa, Marine Le Pen, negou nesta terça-feira (20) ter implementado um "sistema" para desviar fundos públicos europeus, durante um julgamento de apelação que pode comprometer sua candidatura à eleição presidencial de 2027.
Em março, um tribunal de primeira instância a condenou a cinco anos de inabilitação imediata, uma decisão que abalou o cenário político e foi até mesmo rotulada de "caça às bruxas" pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com a condenação, Le Pen estava no "coração" de um "sistema" entre 2004 e 2016, no qual os assistentes parlamentares de seu partido, pagos pelo Parlamento Europeu, "na verdade" trabalhavam para o partido, o que é proibido.
"O termo 'sistema' me incomoda porque dá a impressão de manipulação", disse a política de 57 anos nesta terça-feira, no início de sua primeira audiência perante o tribunal de apelações em Paris.
"Os casos dos assistentes parlamentares devem ser analisados um a um, porque me parece que abrangem realidades muito diferentes", acrescentou o líder da extrema direita, cujo interrogatório está previsto para continuar até a noite de quarta-feira.
A finalista das eleições presidenciais de 2017 e 2022 negou ter cometido um crime intencionalmente, de forma firme, porém contida, ao contrário do que ocorreu durante o julgamento inicial, quando os debates foram mais acalorados.
Essa mudança de estratégia visa garantir que, em caso de condenação, a inelegibilidade ou a pena de prisão lhe permitam concorrer à eleição presidencial de 2027, na qual o atual presidente, Emmanuel Macron, não poderá mais se candidatar.
O Tribunal Correcional de Paris a afastou da disputa em março, condenando-a a dois anos de prisão, uma multa de 100.000 euros (cerca de R$ 624.000, na cotação da época) e, principalmente, à inabilitação imediata.
A pena máxima que ela enfrenta novamente é de 10 anos de prisão.
O processo de apelação ocorre em um momento em que Le Pen e seu pupilo, Jordan Bardella, lideram as pesquisas para suceder o líder de centro-direita Macron em 2027.
Além de Le Pen, outras 23 pessoas, incluindo ex-eurodeputados, membros e funcionários do antigo partido Frente Nacional (FN), agora renomeado Reagrupamento Nacional (RN), também foram condenadas, assim como o próprio partido. Doze deles, juntamente com o partido, recorreram da sentença.
E.Qaddoumi--SF-PST