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Chefe de gabinete nega no Congresso ligação de Milei com 'criptogate'
O chefe de gabinete da Argentina, Guillermo Francos, afirmou nesta terça-feira, perante o Congresso nacional, que Javier Milei "não mantém nem manteve nenhum vínculo com o projeto $LIBRA", criptomoeda que foi promovida pelo presidente do país.
A declaração foi feita no contexto de uma investigação sobre a queda, em 14 de fevereiro, do valor da criptomoeda, que Milei promoveu em uma publicação na rede social X.
A $LIBRA atingiu um valor de quase US$ 5 e, em seguida, derreteu cerca de 90% em duas horas, com prejuízos estimados em US$ 250 milhões depois que a publicação foi excluída.
No começo de abril, o Congresso aprovou a criação de uma comissão investigadora, que busca determinar se Milei agiu de má-fé no caso, que ficou conhecido como "criptogate". Funcionários do governo foram convocados a prestar esclarecimentos.
Francos explicou aos deputados que Milei "fez uma postagem em sua conta pessoal no X para divulgar um projeto que, segundo lhe foi informado, tinha como missão impulsionar a economia argentina por meio do financiamento de pequenos projetos e empresas locais".
"Não existiu coordenação, intervenção ou participação alguma do Estado, nem houve nenhum benefício econômico, relação contratual, compensação, compromisso, acordo ou participação de qualquer tipo", afirmou Francos, que compareceu sozinho à Câmara dos Deputados, depois que os ministros da Economia e da Justiça e o titular da Comissão Nacional de Valores faltaram à interpelação.
"Participarei representando todo o Poder Executivo", havia dito Francos à rádio La Red. Ele admitiu que o presidente se reuniu com os promotores da $LIBRA - Julian Peh e Hayden Davies - e com Mauricio Novelli, que os teria aproximado de Milei meses antes do lançamento da criptomoeda.
"Atento à repercussão do lançamento do projeto, e não tendo participado, em momento algum, do desenvolvimento da criptomoeda, para evitar qualquer especulação e impedir uma divulgação maior, Milei decidiu excluir a publicação", explicou Francos.
Deputados opositores chamaram a atenção para o fato de a postagem inicial do presidente incluir o número de contrato por meio do qual as pessoas podiam comprar o criptoativo. Francos respondeu que Milei "apenas divulgou informação que era pública".
"A informação não era pública. No momento em que Milei postou, o número de contrato não estava na página Viva la Libertad Project. Portanto, há uma coordenação evidente", contestou o deputado Itai Hagman.
O escândalo gerou denúncias de fraude na Argentina e nos Estados Unidos, e se tornou o principal obstáculo de Milei desde a sua posse, em dezembro de 2023, e antes das eleições de meio de mandato, em outubro.
K.Hassan--SF-PST