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Promotoria recorre da sentença contra Luis Rubiales e pede novo julgamento
A Promotoria do processo contra Luis Rubiales recorreu da sentença nesta quinta-feira (6) e pediu a realização de um novo julgamento devido à falta de imparcialidade do juiz que aplicou uma multa ao ex-presidente da Federação Espanhola como punição por beijar a jogadora Jenni Hermoso.
No memorando da promotora Marta Durántez, ao qual a AFP teve acesso, ela pediu um novo julgamento presidido por um juiz "que não esteja contaminado, no mínimo, pela aparência de parcialidade", e reclamou que foi impedida de fazer inúmeras perguntas e que muitas provas foram ignoradas pelo juiz.
O magistrado José Manuel Fernández Prieto "não fez nenhuma menção na sentença a diversas questões fundamentais sobre as quais foram produzidas provas durante o julgamento, como se tais provas não existissem", argumentou a acusação.
Durántez também acusa o juiz de "privar esta acusação de fazer perguntas apropriadas a várias testemunhas", antes de listar todas "as ocasiões em que as perguntas do Ministério Público foram rejeitadas".
O incidente ocorreu em 20 de agosto de 2023, durante a cerimônia de premiação após a Espanha conquistar o título da Copa do Mundo em Sydney, quando Rubiales forçou um beijo na boca da jogadora, o que gerou um escândalo mundial e levou à demissão do técnico.
Tanto a defesa de Hermoso quanto o próprio Rubiales anunciaram que iriam recorrer da sentença.
A sala de apelações da própria Audiência Nacional, instância máxima que julga os casos e crimes mais graves cometidos por espanhóis no exterior, resolverá os recursos, em data ainda indeterminada.
No veredicto do julgamento, que ocorreu de 3 a 14 de fevereiro perto de Madri, o juiz considerou Rubiales culpado de agressão sexual e impôs uma multa de 10.800 euros (cerca de 67.368 reais) e a proibição de se aproximar ou entrar em contato com a vítima por um ano.
O juiz, no entanto, o absolveu do crime de coação, por considerar que não houve violência ou intimidação nas pressões sobre a atacante da seleção feminina para que minimizasse o gesto.
A pena contra o homem que presidiu a RFEF de 2018 a 2023 é muito menor do que a solicitada pela Promotoria, de dois anos e meio de prisão, um ano pelo beijo e um ano e meio pela coação.
A sentença foi "extremamente branda com o agressor", disse a advogada feminista espanhola Altamira Gonzalo, que também é membro do Observatório Espanhol sobre Violência contra as Mulheres, em declarações à AFP.
Rubiales não explicou os motivos do seu recurso, mas durante o julgamento a advogada de defesa do ex-líder de 47 anos afirmou que ele não cometeu nenhum crime.
"Estamos diante de um conduta inadequada? Sim. Criminosa? Não", disse a advogada Olga Tubau nas conclusões do julgamento.
M.Qasim--SF-PST