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Israel chama combatentes do Hamas de 'monstros' após cerimônia com caixões de reféns
Israel chamou os combatentes do Hamas de "monstros", nesta quinta-feira (20), após membros do movimento islamista palestino exibirem, em Gaza, caixões com os restos de quatro reféns, entre os quais afirmam estar os dois filhos da família Bibas e a mãe deles, antes de sua devolução às autoridades israelenses.
"Estamos todos enfurecidos com os monstros do Hamas", declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um vídeo. "Traremos de volta todos os nossos reféns, destruiremos os assassinos, eliminaremos o Hamas e, juntos, com a ajuda de Deus, garantiremos nosso futuro", acrescentou.
Após a devolução dos corpos a Israel, milhares de pessoas fizeram um minuto de silêncio em Tel Aviv, constatou um jornalista da AFP.
Segundo o Hamas, os restos entregues são os de Ariel e Kfir Bibas, que tinham, respectivamente, 4 anos e 8 meses no momento do sequestro, em 7 de outubro de 2023, os de sua mãe, Shiri Bibas, de 32 anos; e os de Oded Lifshitz, de 83 anos.
Antes da devolução, os combatentes do Hamas expuseram os caixões em um palco em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza.
Um grande cartaz de Netanyahu retratado como um vampiro sedento por sangue aparecia atrás da estrutura. Cada caixão levava uma foto de um falecido. E, perto deles, pequenas réplicas de mísseis brancos com a mensagem "foram assassinados por bombas americanas".
"O desfile dos corpos que vimos nesta manhã é abominável e cruel, e vai contra o direito internacional", denunciou Volker Türk, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), por sua vez, insistiu que a devolução dos reféns mantidos em Gaza deve "ser realizada em privado".
A entrega desta quinta-feira foi a primeira de reféns sem vida desde a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo entre Israel e Hamas em 19 de janeiro, após mais de 15 meses de guerra.
- "Nossos corações estão destroçados" -
Os quatro caixões chegaram no início da tarde ao Instituto Forense Abu Kabir, em Tel Aviv, onde está previsto que sejam realizadas autópsias nos cadáveres para sua identificação.
Os quatro reféns foram capturados no kibutz Nir Oz, durante o ataque do Hamas ao sul de Israel, o qual desencadeou a guerra em Gaza.
O movimento islamista que governa Gaza anunciou, em novembro de 2023, que Shiri Bibas e seus filhos haviam sido mortos em um bombardeio israelense. As autoridades israelenses, no entanto, nunca confirmaram a informação.
As imagens do sequestro de Bibas e seus filhos deram a volta ao mundo e se tornaram um símbolo do horror vivido no ataque. O esposo de Shiri e pai das crianças, Yarden, também esteve em cativeiro, mas foi liberado no dia 1º de fevereiro em outra troca de reféns.
"Nossos corações, os corações de toda a nação, estão destroçados", declarou o presidente israelense, Isaac Herzog. "Em nome do Estado de Israel, abaixo a cabeça e peço perdão. Perdão por não ter protegido vocês naquele dia terrível. Perdão por não os ter trazido para casa com vida".
Tahani Fayad, de 40 anos, assistiu à cerimônia do Hamas. O momento, opinou, confirma "a vitória do povo palestino e é uma prova de que a ocupação não nos derrotará".
Os quatro caixões foram entregues ao CICV, que os confiou depois ao Exército israelense. O comboio com os restos entrou em Israel pelo kibutz de Kissufim, onde dezenas de pessoas se reuniram com bandeiras israelenses e amarelas, uma cor que simboliza os reféns.
"É um dos dias mais difíceis desde 7 de outubro", disse Tania Coen Uzzielli, junto a cerca de 100 pessoas em Tel Aviv.
- O mais jovem dos reféns -
Desde o início da trégua, no âmbito de um acordo negociado por Catar, Egito e Estados Unidos, foram libertados 19 reféns israelenses em troca de mais de 1.100 prisioneiros palestinos.
Nesta primeira fase do acordo, que prosseguirá até 1º de março, devem ser entregues 33 reféns - incluindo os corpos de oito pessoas - em troca da libertação de 1.900 palestinos detidos por Israel.
As negociações indiretas da segunda fase, que devem acabar com a guerra em definitivo, foram adiadas. Israel e Hamas trocaram acusações sobre violações do cessar-fogo.
A terceira etapa do acordo envolverá a reconstrução na Faixa de Gaza.
O ataque do Hamas provocou as mortes de 1.211 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.
A ofensiva israelense de retaliação matou pelo menos 48.297 pessoas em Gaza, a maioria civis, segundo números do Ministério da Saúde do território palestino, considerados confiáveis pela ONU.
R.Halabi--SF-PST