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Terremoto intenso no Tibete chinês deixa pelo menos 126 mortos
Um forte terremoto devastou uma área remota do Himalaia chinês, na região do Tibete, nesta terça-feira (7), deixando pelo menos 126 mortos, 188 feridos e um rastro de destruição.
O tremor teve como epicentro o condado rural de Tingri, perto da fronteira com o Nepal, e foi sentido na capital Catmandu e em partes da Índia.
Segundo a central de terremotos chinesa, a magnitude foi de 6,8 e o serviço geológico dos Estados Unidos estimou a magnitude em 7,1.
Vídeos publicados pela emissora chinesa CCTV mostram casas destruídas com paredes desabadas, ruas cheias de escombros, veículos soterrados e clientes fugindo de um supermercado enquanto as prateleiras tremiam e os produtos caíam no chão.
Segundo a agência de notícias estatal Xinhua, "126 pessoas foram confirmadas como mortas e 188 feridas". O balanço anterior era de 95 mortos e 130 feridos.
Sangji Dangzhi, proprietário de um supermercado que foi seriamente danificado, disse que a situação era "muito grave", com ambulâncias levando os feridos ao hospital desde o início da manhã.
"As casas são feitas com terra aqui, então com o terremoto (...) muitas desabaram", disse o homem de 34 anos por telefone à AFP.
Tingri é um condado rural rodeado de montanhas, com cerca de 62.000 habitantes. Está localizado na encosta chinesa do Monte Everest e a 370 quilômetros a sudoeste da capital regional, Lhasa.
A destruição também parece significativa em Lhasa, de acordo com uma declaração fornecida à AFP. "Algumas das casas mais antigas foram derrubadas e muitos prédios apresentam rachaduras", disse Meng Lingkang, um turista de 23 anos.
- "Profundamente triste" -
A agência Xinhua garantiu que "as autoridades locais estão entrando em contato com várias cidades do condado para avaliar o impacto do terremoto". Também enviaram ajuda emergencial, como barracas de campanha, cobertores e outros materiais para resistir às intempéries da região, acrescentou a agência.
As temperaturas em Tingri devem cair para -16ºC durante a noite, segundo o instituto meteorológico da China.
O presidente chinês, Xi Jinping, fez apelo a "esforços de busca e resgate em grande escala".
O Dalai Lama, figura máxima do budismo tibetano, que vive no exílio, disse estar "profundamente triste" com o ocorrido.
O presidente russo, Vladimir Putin, enviou uma mensagem de condolências ao seu aliado Xi Jinping, afirmando que a Rússia "compartilha a dor" do povo chinês.
- "Tremores muito fortes" -
Embora os sismos sejam comuns nesta região, o desta terça-feira foi o mais intenso registrado em um raio de 200 quilômetros nos últimos cinco anos, informou o instituto sísmico chinês.
O tremor também foi sentido na capital nepalesa Catmandu, e no povoado de Lobuche, próximo ao acampamento base do Everest.
"Aqui tremeu muito", disse um funcionário do governo Jagat Prasad Bhusal, na região de Namche, perto do pico mais alto do mundo.
O porta-voz do Ministério do Interior do Nepal, Rishi Ram Tiwari, disse que nenhum dano ou morte foi relatado até agora.
O Nepal está localizado em uma falha geológica onde a placa tectônica indiana pressiona a placa euroasiática, o que causou a formação da cordilheira do Himalaia e torna os terremotos frequentes na área.
Em 2015, quase 9.000 pessoas morreram e mais de 22.000 ficaram feridas devido a um sismo de magnitude 7,8 no Nepal que destruiu mais de 500 mil casas.
Os tremores desta terça-feira também atingiram o estádio indiano em Bihar, mas não há relatos de feridos.
Em janeiro de 2024, três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em um terremoto de magnitude 7 na zona montanhosa da fronteira entre a China e o Quirguistão.
Um mês antes, outro terremoto no noroeste da China matou 148 pessoas e deslocou milhares na província de Gansu. Foi o terremoto mais mortal no gigante asiático desde 2014, quando mais de 600 pessoas morreram na província de Yunnan, no sudoeste.
I.Yassin--SF-PST