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Congresso inicia processo de impeachment contra ministra do Interior do Equador
O Congresso do Equador, de maioria opositora, iniciou, nesta quarta-feira (23), um julgamento político contra a ministra do Interior, Mónica Palencia, pelo suposto descumprimento de suas funções para enfrentar a crise de segurança crescente provocada pela violência do narcotráfico.
O processo de impeachment, que poderia levar à destituição da funcionária, começou após dois atentados com explosivos de "alto poder" destrutivo registrados na noite de terça-feira na cidade costeira de Machala (sudoeste), que deixaram várias casas destruídas, constatou a AFP.
"Infelizmente, seguem respondendo ao enfrentamento das organizações criminosas" pelo poder, disse durante coletiva de imprensa a governadora local Carolina Carrillo.
Os acontecimentos em Machala, capital de El Oro, uma das seis províncias mais violentas do país e declaradas sob estado de exceção, deixaram um ferido, segundo a polícia.
Palencia, a face mais visível do governo em sua luta cotra a criminalidade galopante no Equador, apresentava sua defesa frente às acusações de dois dos 48 legisladores alinhados ao ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), da oposição.
Para tirar a ministra do cargo, é preciso o apoio de 92 dos 137 membros do Legislativo, no qual a situação tem cerca de 40 assentos, somando o apoio dos aliados.
Anteriormente, a congressista interpelante Paola Cabezas, do partido Revolução Cidadã, denunciou outros ataques.
"Não são apenas os atentados de Machala. Seis mortes na modalidade do assassinato por encomenda em Guayaquil, assassinam uma mãe com sete meses de gravidez" e "uma colega legisladora me diz que (na província amazônica de) Orellana há oito mortos", registrados nas últimas horas, afirmou.
A Polícia não se pronunciou até o momento sobre os supostos crimes em Guayaquil e Orellana mencionados pela legisladora.
- "Crise profunda" -
Durante o processo de qualificação do processo, o correísmo também criticou Palencia pela incursão da força pública na embaixada mexicana em Quito para capturar o ex-vice-presidente Jorge Glas, a quem o México havia dado asilo.
Por causa da incursão na embaixada, o México acionou o Equador perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ) e tirou seu pessoal do país.
Leonardo Berrezueta, outro interpelante, assinalou que a ministra deve responder pela "inexistência de um plano de segurança concreto" pela "profunda crise de segurança que continua afetando o Equador" e pela fuga do líder da temida quadrilha Los Choneros, Adolfo Macías (conhecido como Fito), que provocou uma investida do narcotráfico em janeiro.
O Equador se tornou um dos países mais violentos do mundo. As mortes violentas passaram de 6 por 100.000 habitantes em 2018 para o recorde de 47 por 100.000 habitantes em 2023, segundo números oficiais. Em 2024, até o momento a taxa é de 31/100.000.
Paralelamente, o país apreendeu entre janeiro e outubro deste ano o recorde de 232 toneladas de drogas, frente a 219 toneladas em 2023.
Para combater o narcotráfico, o presidente Daniel Noboa declarou o país em conflito armado interno e ordenou que os militares travassem uma guerra contra as cerca de 20 quadrilhas com vínculos com cartéis internacionais como o mexicano de Sinaloa.
- Criminosos detidos -
Palencia lidera, juntamente com o ministro da Defesa, Gian Carlo Loffredo, o denominado bloco de segurança, que intervém nas áreas mais perigosas. Apesar da presença militar e policial, os sequestros, os homicídios e as extorsões continuam no país.
No Parlamento, a ministra disse que "dois alvos de alto valor" foram detidos, em alusão aos líderes da organização Los Tiguerones detidos na Espanha, que teriam envolvimento na ocupação armada da sede da emissora TC Televisión em Guayaquil (sudoeste), em janeiro, e no assassinato de um promotor.
Noboa defende a gestão de sua ministra. Na véspera, por causa do julgamento, o presidente cancelou uma viagem ao Brasil, onde participaria de um evento sobre mudanças climáticas.
O presidente aspira à reeleição em fevereiro de 2025, após assumir o cargo para concluir o mandato de Guillermo Lasso, que dissolveu o Congresso e abriu o caminho para eleições antecipadas para escapar de um processo de impeachment por corrupção e em meio a um escalada da violência.
Na terça-feira, o ministro da Defesa, Gian Carlos Loffredo, qualificou Palencia como uma "peça-chave" na luta contra o crime organizado e instou os legisladores a reconhecerem os "êxitos" na área da segurança.
O Executivo afirma que conseguiu reduzir em 17% os homicídios no período de janeiro a outubro deste ano (5.295 assassinatos) em relação ao mesmo período de 2023 (6.406).
U.AlSharif--SF-PST