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Cresce a pressão internacional pela questionada reeleição de Maduro
A Colômbia pediu nesta quarta-feira (31) à Venezuela uma "contagem transparente" dos votos após a questionada reeleição do presidente venezuelano Nicolás Maduro, aumentando assim a crescente pressão internacional após denúncias de fraude feitas pela oposição.
A proclamação do presidente gerou protestos espontâneos no país que deixaram 12 mortos, dezenas de feridos e cerca de 750 detidos, incluindo líderes políticos acusados de terrorismo.
"Convido o governo venezuelano a permitir que as eleições terminem em paz, permitindo uma apuração transparente com contagem de votos, boletins e supervisão de todas as forças políticas do seu país e supervisão internacional profissional", escreveu o presidente colombiano Gustavo Petro, aliado de Maduro na rede X.
O G7, por sua vez, apelou "às autoridades competentes para que publiquem resultados eleitorais detalhados com total transparência", segundo um comunicado divulgado pela presidência italiana em nome do grupo formado também por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Japão e Reino Unido.
Maduro, no poder desde 2013 e herdeiro político do ex-presidente socialista Hugo Chávez, foi declarado vencedor das eleições presidenciais de domingo, ganhando um terceiro mandato consecutivo de seis anos até 2031. Não há limites para a reeleição na Venezuela.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), de tendência chavista não divulgou os detalhes da contagem dos votos, como pede a oposição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Joe Biden, dos Estados Unidos, pediram a divulgação imediata dos registros de votação.
O Centro Carter, convidado pelo CNE para observar as eleições, indicou que as presidenciais não se adequaram a "parâmetros e padrões internacionais de integridade eleitoral".
- "Calma" -
O chavismo atacou a oposição, que acusa de estar por trás de um golpe de Estado.
O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, também atribuiu os protestos pós-eleitorais a González Urrutia e María Corina Machado, que segundo ele "deveriam ser detidos".
O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, afirmou que as autoridades venezuelanas "devem parar com as prisões, a repressão e a retórica violenta contra membros da oposição". "As ameaças contra Edmundo González Urrutia e María Corina Machado são inaceitáveis", afirmou na rede X.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, fez "um chamado firme à calma, ao civismo e à garantia dos direitos fundamentais de todos os venezuelanos".
- "Liberdade" -
Milhares de opositores saíram às ruas da Venezuela nesta terça-feira gritando por "Liberdade!" e para reivindicar a vitória nas urnas de González Urrutia.
"Precisamos nos mantar nas ruas, não podemos permitir que nos roubem os votos tão descaradamente. Isto tem que mudar", disse à AFP Carley Patiño, administradora de 47 anos.
Durante a manifestação em Caracas, González Urrutia pediu que os militares mantenham a calma.
Maduro responsabilizou González Urrutia e Machado pela violência nas manifestações e garantiu que "a justiça vai chegar".
"Responsabilizo o senhor, González Urrutia, por tudo o que está acontecendo na Venezuela, pela violência criminosa, pelos delinquentes, pelos feridos, pelos mortos, pela destruição", disse.
O chavismo também marchou até Miraflores e está prevista uma nova manifestação nesta quarta-feira.
- Doze mortos -
"Preocupa-nos o uso de armas de fogo nestas manifestações. O fato de terem ocorrido 11 mortes em um único dia é um número alarmante", considerou Alfredo Romero, diretor da Foro Penal.
O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, também relatou a morte de um militar .
As Forças Armadas, principal apoio do governo, expressou "lealdade absoluta e apoio incondicional" a Maduro, declarou o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, que reforçou a tese de golpe contra o presidente.
Aliado de Maduro, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu àqueles que questionam e denunciam uma fraude eleitoral "não metam o nariz" nos assuntos internos da Venezuela.
A Venezuela rompeu na terça-feira suas relações com o Peru, que reconheceu González Urrutia como "presidente eleito". Pouco antes havia ordenado a expulsão do corpo diplomático deste país, assim como os da Argentina, Chile, Costa Rica, Panamá, República Dominicana e Uruguai, em resposta ao que considera "ações intervencionistas" desses países.
Seis colaboradores de María Corina estão refugiados há seis semanas na embaixada argentina. A líder de oposição denunciou um cerco policial à sede diplomática, sem eletricidade nesta quarta-feira.
A Argentina denuncia um "assédio".
L.AbuTayeh--SF-PST