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Militar dos EUA acusado de vazar documentos secretos vai permanecer preso
O jovem militar americano acusado de vazar documentos sigilosos vai aguardar seu julgamento preso, segundo decisão de um juiz federal, anunciada nesta sexta-feira (19), depois que a promotoria argumentou que o acusado representa um risco para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Jack Teixeira, de 21 anos, especialista em informática da Guarda Nacional Aérea, é suspeito de ter orquestrado o vazamento de documentos sigilosos mais grave em uma década, ao publicar uma grande quantidade de informações altamente confidenciais em um fórum na rede social Discord.
Os documentos, rapidamente divulgados na internet, revelaram a preocupação dos Estados Unidos com a capacidade militar da Ucrânia frente às forças invasoras russas e mostravam que Washington aparentemente espionou seus aliados Israel e Coreia do Sul, entre outros assuntos sensíveis.
A corte avaliou que Teixeira deve permanecer preso preventivamente por sua suposta periculosidade.
Imagens de sua prisão pela polícia federal americana (FBI) em 13 de abril, em frente à sua casa, em Dighton, sul de Boston, deram a volta ao mundo, dias depois de a imprensa americana revelar os vazamentos.
O caso pôs Washington em apuros e gerou dúvidas sobre possíveis falhas de segurança, pois o jovem militar que servia na base de Otis, em Cape Cod, perto de Boston, tinha uma autorização especial para acessar informações sensíveis.
Segundo documentos apresentados pela Promotoria, autoridades militares americanas apontaram o comportamento suspeito de Jack Teixeira em várias ocasiões. Em setembro e outubro de 2022, ele foi surpreendido fazendo "anotações de informações sigilosas" e em janeiro de 2023 foi pego consultando conteúdo relacionado ao "setor de informação", sem vínculo com sua "ocupação principal".
Os promotores alegaram que Teixeira ainda poderia acessar os documentos sigilosos e que países "hostis" poderiam ajudá-lo a fugir se fosse solto. Também disseram que ele tinha antecedentes de fazer declarações "violentas".
A defesa argumentou que Teixeira não tinha mais acesso a esse tipo de documentos e que o governo exagerava sobre a ameaça que o jovem representa, argumentando que deveria ser posto em liberdade sob a custódia de seu pai, enquanto aguarda seu julgamento.
O militar, cuja patente é de aviador de primeira classe, é acusado de "manter e transmitir informações relativas à defesa nacional sem autorização", assim como de "subtração e manutenção não autorizada de documentos ou materiais sigilosos", o que pode levá-lo a ser condenado a até 25 anos de prisão.
L.Hussein--SF-PST